Mística da IV secção

Publicado a 11/07/2011, 04:06 por Panda Reguila   [ atualizado a 12/07/2011, 10:13 ]
A Mística dos Caminheiros consiste na busca da vida plena em Cristo, o mesmo é dizer, a vida no Homem Novo.

A descoberta dos dons de Deus, com a progressiva aceitação da Aliança que Ele oferece ao Homem, permite encontrar um novo projecto de vida: a construção da Igreja dá Corpo a esse projecto, e a vida vivida com critérios cristãos, assumida com valores cristãos e alimentada em Cristo, exprime a vida desse mesmo Corpo. É esse o resumo do itinerário espiritual proposto pelo conjunto das quatro etapas sequenciais das secções.

Viver em Cristo é a meta de todo o Cristão.

Pelo baptismo, fomos já configurados com Cristo e feitos membros da Igreja mas, enquanto peregrinamos neste mundo terrestre, experimentamos a dialéctica de uma vida no mundo, sem ser do mundo. Isso acarreta dificuldades e exige um esforço de fidelidade ao querer de Deus. A correspondência à vontade divina é um caminho para toda a vida e, o chegar da partida de Caminheiro representa apenas o assumir consciente e maduro do rumo a seguir. Não significa, por isso, a conclusão do caminho, nem a inércia da meta alcançada.

Resumimos assim a Mística da quarta Secção:

A vida no Homem Novo: o Caminheiro vive cristãmente em todas as dimensões do seu ser.

O Caminheiro é chamado a viver integralmente em Cristo, o "Homem Novo", assumindo um lugar activo na construção dos "novos céus e da nova terra".

Com a ênfase colocada na vida cristã, nas diversas dimensões que compõem o ser humano, pretende-se estimular para a incarnação plena do Evangelho de Jesus Cristo, sem hiatos ou áreas excluídas. Tudo o que é próprio do ser humano tem também a ver com o Evangelho e, por isso, toda a vida há-de ser moldada pela Palavra que dá vida e sacia para a eternidade.

É fundamental que a pedagogia da quarta Secção não deixe de dar um contributo novo para a formação dos jovens Caminheiros , pois estes estão ainda num processo educativo, apesar de possuírem já autonomia em diferentes áreas. Da qualidade da pedagogia proposta nesta etapa, depende o bom sucesso de todo o itinerário escutista.

No final deste percurso é que poderemos perceber qual a mais valia que o escutismo oferece à sociedade e à Igreja.


É inspirado neste projecto das “Bem-aventuranças” que se traduz a proposta de valores do “Homem Novo”.
  • O Homem Novo respeita a vida em todas as suas formas e manifestações.
  • O Homem Novo respeita e cuida do seu corpo.
  • O Homem Novo vive a vocação do amor como um dar-se mutuamente e partilhar uma mesma caminhada.
  • O Homem Novo filho de um mesmo pai, Deus, e assim todos os Homens são seus irmãos.
  • O Homem Novo sabe que os Homens se salvam em comunhão: a fraternidade, a solidariedade e a partilha são os caminhos da salvação.
  • O Homem Novo participa no desenvolvimento do mundo, na construção da Justiça e da Paz.
  • O Homem Novo coloca-se ao lado dos pobres, dos desprotegidos, dos marginalizados, das vítimas da violência e da injustiça.
  • O Homem Novo é livre e responsável, arriscando esses valores na busca de novos caminhos e soluções de futuro.
  • O Homem Novo está atento às conquistas da ciência e da técnica, vendo nelas apenas instrumentos que têm de dominar e utilizar com discernimento.
  • O Homem Novo vive o despojamento como exigência de liberdade e como um testemunho de caridade.
  • O Homem Novo prefere a liberdade de criar do que a escravidão de consumir.
  • O Homem Novo vive a vida como uma constante opção norteada da sua fé.
  • O Homem Novo é enfim, um Homem comprometido com estes valores, empenhando-os na sua vivência e em todos os momentos da sua vida.
Baden-Powell definiu assim o Caminheirismo: “Os Caminheiros formam uma fraternidade do Ar Livre e do Serviço”.

Simbologia IV Secção

Dimensões do Caminheirismo

Caminho

O Caminho evoca o ritual da viagem...
No Caminheirismo, o jovem é desafiado a escolher um itinerário de descoberta e de acção, que o leve a tornar-se artesão de um mundo novo.

Comunidade
Durante a Caminhada, o jovem é interpelado a avançar lado a lado com o outro...
É o apelo das Bem-aventuranças que dá sentido a essa Caminhada, que se torna assim experiência de comunidade, de partilha, de amor e de construção da Paz.

Serviço
A verdadeira descoberta só é possível no serviço...
Segundo o apelo das Bem-aventuranças, essa comunidade não pode ser virada sobre si mesma.
A dinâmica da Caminhada é de descoberta, vivida numa relação de amor fraterno.

Símbolos

As dimensões atrás referidas são marcadas por sinais de elevada carga simbólica: a vara bifurcada, o fogo, a mochila.
Do conteúdo da mochila fazem parte: a tenda, o pão e o evangelho.

Vara Bifurcada
Símbolo da necessidade de fazer ou renovar as suas opções, sinal de que o Caminheiro se compromete a aderir ao projecto das Bem-aventuranças.

Mochila
Onde transporta apenas o essencial para a jornada.
Simboliza o seu desprendimento e a sua determinação de ir sempre mais além.

Tenda
Sinal da mobilidade e da sua rapidez de se pôr em marcha.
Na Bíblia a tenda é um sinal da presença de Deus no meio do seu povo.

Pão
Transportado na mochila, alimenta o corpo, dado em partilha e comunhão.


Evangelho
O pão do Espírito, anúncio da Boa Nova de Cristo.


Fogo
Sinal da descida do Espírito Santo.
É o fogo que ilumina e aquece o peregrino durante a sua caminhada.

 

Partida ...

Exprime simbolicamente que o acto de caminhar é em si mesmo mais importante do que o facto de chegar.
O jovem não “chega” ao fim da sua caminhada, mas “parte”.
O fim de uma etapa significa sempre o início de outra...

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